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DNIT prevê R$ 100 bi para recuperar pontes
DNIT prevê R$ 100 bi para recuperar pontes

Autor: por Mauro Camargo/Michely Figueiredo

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DNIT prevê R$ 100 bi para recuperar pontes

Fábio Nunes afirma que 70% das pontes e viadutos federais chegam ao limite de vida útil e defende manutenção viária.

DESAFIO ESTRUTURAL

DNIT estima necessidade de R$ 100 bilhões para reabilitar 9,6 mil pontes e viadutos federais

Diretor de Infraestrutura Rodoviária do DNIT afirmou que 70% das estruturas do país estão chegando ao limite de vida útil e defendeu manutenção viária como prioridade equivalente à saúde e educação.

O diretor de Infraestrutura Rodoviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Fábio Pessoa da Silva Nunes, afirmou que o Brasil precisará investir cerca de R$ 100 bilhões para recuperar e reabilitar as 9,6 mil pontes, viadutos e passarelas sob responsabilidade federal. A declaração foi feita durante painel do IV Congresso Nacional de Gestão Pública, realizado em Brasília, pela Academia Brasileira de Formação e Pesquisa (ABFP), com coorganização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo o diretor, aproximadamente 70% dessas estruturas estão alcançando a faixa de 60 anos de utilização, o que exige intervenções urgentes de manutenção, reabilitação ou reconstrução. Ele destacou que o aumento do fluxo de cargas nas rodovias brasileiras também contribui para o desgaste acelerado das estruturas. “Concreto não é eterno. As pontes chegaram à idade delas”, afirmou.

Durante a palestra, Fábio Nunes apresentou detalhes do Proarte, programa federal voltado à manutenção e recuperação de estruturas rodoviárias. O projeto foi reformulado após o colapso da ponte Juscelino Kubitschek, na divisa entre Maranhão e Tocantins, no fim de 2024.

O diretor explicou que uma das principais inovações do programa é a adoção do modelo de contratação integrada previsto na Nova Lei de Licitações, além da utilização de contratos com preço por metro quadrado para acelerar os processos de recuperação das estruturas.

Segundo ele, antes da mudança, o DNIT levava cerca de oito meses apenas para concluir levantamentos e projetos de uma única ponte. Com a nova metodologia, o órgão passou a contratar lotes inteiros de estruturas utilizando parâmetros técnicos padronizados.

“Se fizéssemos um projeto individual para cada ponte, talvez nem nossos bisnetos estivessem aqui quando tudo estivesse concluído”, declarou.

Fábio Nunes também informou que o DNIT adotará o modelo de contratação por técnica e preço nas obras do Proarte, abandonando o critério de menor preço para contratos de maior complexidade. A medida busca garantir maior qualidade técnica nas obras e reduzir riscos de paralisações.

O diretor reconheceu, porém, dificuldades envolvendo a participação de empresas de consultoria em consórcios integrados com construtoras, especialmente devido à responsabilidade solidária prevista nos contratos.

Outro destaque da palestra foi a defesa da manutenção rodoviária como política pública prioritária. Para o representante do DNIT, a conservação da infraestrutura de transportes deveria ter caráter obrigatório no orçamento público, assim como saúde e educação.

“Não é opcional para o Estado deixar de fazer manutenção das pontes e rodovias. Garantir o direito de ir e vir da população é tão importante quanto saúde e educação”.

O diretor ainda revelou que o DNIT passou a utilizar monitoramento por satélite para acompanhar movimentações e deformações em estruturas rodoviárias. Segundo ele, a tecnologia já permitiu identificar riscos e evitar acidentes em rodovias federais.

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