Autor: por Mauro Camargo/Michely Figueiredo
Marcela Arruda redefine eficiência na gestão pública
Marcela Arruda defende inovação, planejamento e governança para uma administração pública mais eficiente e sustentável.
LÓGICA DA EFICIÊNCIA
Secretária de Gestão de SP defende nova administração pública e diz que eficiência “não é gastar menos”
Marcela Arruda defendeu mudança de mentalidade no setor público durante o IV Congresso Nacional de Gestão Pública e criticou modelos burocráticos e controle apenas reativo.
A secretária de Gestão da Prefeitura de São Paulo, Marcela Arruda, afirmou que a administração pública brasileira precisa abandonar a lógica de que eficiência significa apenas corte de gastos e defender uma gestão baseada em planejamento, inovação, sustentabilidade e parcerias estratégicas. A declaração foi feita durante palestra no IV Congresso Nacional de Gestão Pública.
“Ser eficiente não é simplesmente gastar menos. Se a redução de custos implicar perda na qualidade do serviço público, isso não é eficiência”, afirmou.
A palestra teve como foco os desafios da administração pública do século XXI. O evento é promovido pela Academia Brasileira de Formação e Pesquisa, com coorganização do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Durante a apresentação, Marcela Arruda defendeu uma mudança de mentalidade dentro do setor público diante das novas demandas sociais, climáticas e tecnológicas que pressionam os municípios brasileiros.
Segundo ela, os gestores públicos convivem hoje com desafios simultâneos, como restrições fiscais, judicialização, envelhecimento da população, transformação digital e mudanças climáticas, além da cobrança crescente por respostas rápidas da sociedade.
“A sociedade contemporânea não admite mais um Estado inerte ou ineficiente”, destacou.
A secretária também criticou modelos excessivamente burocráticos e afirmou que o controle da administração pública precisa deixar de atuar apenas de forma reativa e formalista.
Para ela, os órgãos de controle devem atuar de maneira mais orientadora, valorizando planejamento, governança, segurança jurídica e soluções consensuais entre gestores e instituições fiscalizadoras.
“O controle não pode ser apenas um obstáculo. Ele precisa funcionar como instrumento de estruturação da administração pública”, afirmou.
Ao abordar a realidade dos municípios brasileiros, Marcela destacou que o país não pode adotar soluções padronizadas para contextos completamente diferentes.
“Não é possível olhar um município do interior do Maranhão da mesma forma que se olha a cidade de São Paulo. Cada município possui suas particularidades, limitações e desafios”, disse.
A secretária apresentou números da capital paulista para exemplificar a complexidade da gestão pública contemporânea. Segundo ela, a Secretaria de Gestão administra políticas voltadas a cerca de 225 mil servidores públicos, além de milhares de contratos, fornecedores, processos físicos e digitais e parcerias institucionais.
Ela afirmou ainda que as parcerias público-privadas (PPPs) e as parcerias com o terceiro setor passaram a ser instrumentos fundamentais para ampliar a capacidade de entrega do Estado.
Como exemplo, citou projetos de construção e manutenção de Centros Educacionais Unificados (CEUs) realizados por meio de PPPs em São Paulo.
“Nós não estamos mais diante de uma administração pública em que o interesse público é atendido apenas pela administração direta”, afirmou.
Marcela Arruda também destacou que inovação e sustentabilidade passaram a integrar definitivamente a agenda da gestão pública moderna.
Segundo ela, soluções como ônibus elétricos, compras sustentáveis, gestão de resíduos sólidos e transformação digital já fazem parte das exigências enfrentadas pelos gestores públicos.
A secretária chamou atenção ainda para o impacto das compras governamentais na economia brasileira. De acordo com ela, as contratações públicas movimentaram cerca de R$ 1 trilhão no Brasil no último ano.
“O setor público precisa compreender melhor seu poder de compra e sua capacidade de impulsionar desenvolvimento econômico, inovação e sustentabilidade”.
Outro ponto abordado foi o chamado “apagão das canetas”, expressão utilizada para definir o receio de gestores públicos em tomar decisões diante do medo de punições futuras.
Marcela defendeu que a administração pública do século XXI exige maior diálogo entre Executivo, órgãos de controle e Judiciário para permitir inovação sem comprometer a legalidade.
“Não podemos enfrentar os desafios atuais apenas com as ferramentas do passado”
Ao encerrar a palestra, a secretária defendeu maior compartilhamento de soluções entre os municípios brasileiros como forma de evitar desperdício de recursos públicos.
“Quando um município desenvolve sozinho uma solução que já existe em outro lugar, ele está gastando dinheiro público desnecessariamente. Precisamos compartilhar mais soluções e menos divergências”.
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