Autor: por Mauro Camargo/Michely Figueiredo
Projeto técnico é investimento na gestão pública
Fernando Monteiro defende planejamento técnico para evitar desperdício, qualificar obras públicas e impulsionar cidades inteligentes.
INFRAESTRUTURA E PLANEJAMENTO
“Projeto não é gasto, é investimento”, defende deputado Fernando Monteiro
Parlamentar afirmou que a ausência de planejamento compromete obras públicas, provoca desperdício de recursos e impede o desenvolvimento de cidades inteligentes no Brasil.
O deputado federal por Pernambuco Fernando Monteiro defendeu a valorização do planejamento técnico e dos projetos de engenharia como ferramentas essenciais para garantir eficiência na gestão pública e evitar desperdício de recursos públicos. A declaração foi feita durante o painel 2 do IV Congresso Nacional de Gestão Pública, realizado em Brasília pela Academia Brasileira de Formação e Pesquisa (ABFP), com coorganização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Durante a palestra, o parlamentar afirmou que a falta de planejamento compromete obras públicas em todo o país e impede a construção de cidades mais eficientes e sustentáveis. “Projeto não é gasto, é investimento. Sem planejamento, a gente coloca dinheiro público fora”, afirmou.
Ao defender mudanças na cultura administrativa do país, Fernando Monteiro comparou o projeto ao alicerce de uma casa. Segundo ele, sem uma base técnica sólida, obras públicas ficam sujeitas a falhas, atrasos e desperdícios.
“O projeto é como o alicerce de uma casa. Se não fizer o alicerce corretamente, aquela estrutura pode cair no futuro”, disse.
O deputado destacou que grande parte das cidades brasileiras cresceu de forma desordenada, sem planejamento urbano adequado. Como consequência, obras de pavimentação frequentemente precisam ser refeitas para instalação posterior de redes de esgoto, drenagem ou abastecimento de água.
“Às vezes a rua é asfaltada e depois precisa ser quebrada novamente porque não houve planejamento prévio”, exemplificou.
Fernando Monteiro também criticou a visão de que planejamento representa apenas aumento de custos. Segundo ele, o investimento em projetos técnicos corresponde a uma parcela pequena do valor total das obras, mas é determinante para garantir qualidade e eficiência na execução.
“Muitas vezes, em uma obra de R$ 100 milhões, o projeto custa R$ 1 milhão. É quase nada diante da segurança que ele proporciona”, afirmou.
O parlamentar defendeu ainda mudanças legislativas para tornar os projetos técnicos obrigatórios em contratações públicas, além da ampliação do diálogo entre gestores públicos e órgãos de controle.
Outro ponto destacado pelo deputado foi a necessidade de separar as funções de planejamento e fiscalização nas obras públicas. Para ele, a fiscalização precisa ser fortalecida para garantir maior transparência e eficiência na aplicação dos recursos.
Durante a palestra, Fernando Monteiro também associou planejamento urbano à construção de cidades inteligentes. Conforme o parlamentar, o conceito vai muito além de tecnologia e conectividade.
“Muita gente acha que cidade inteligente é cidade com Wi-Fi e internet. Cidade inteligente é aquela que tem água encanada, esgoto tratado, trânsito organizado e segurança para as pessoas”.
Ao encerrar a participação no congresso, o deputado citou o ex-presidente Juscelino Kubitschek e defendeu um pacto nacional de planejamento de longo prazo.
“Precisamos aproveitar os próximos cinco anos para planejar o Brasil dos próximos 50 anos”.