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Responsabilidade solidária afasta consultorias
Responsabilidade solidária afasta consultorias

Autor: por Mauro Camargo/Michely Figueiredo

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Responsabilidade solidária afasta consultorias

Luciana Dutra alerta que insegurança jurídica e menor preço afastam consultorias de obras públicas de infraestrutura.

INFRAESTRUTURA

Responsabilidade solidária afasta empresas de consultoria de obras públicas, alerta presidente da Anetrams

Luciana Dutra criticou contratações por menor preço no RDC Integrado e defendeu mudanças legais para ampliar segurança técnica e jurídica no setor

A responsabilidade solidária prevista nos contratos do RDC Integrado tem afastado empresas de consultoria de grandes obras públicas e pode comprometer programas estruturantes de infraestrutura no país. Essa foi a visão compartilhada pela presidente do conselho executivo da Associação Nacional das Empresas de Engenharia de Consultoria em Infraestrutura, Transporte e Meio Ambiente (Anetrams), Luciana Dutra, durante o IV Congresso Nacional de Gestão Pública, realizado em Brasília, nesta quinta-feira (21). 

Segundo Luciana, o modelo de RDC Integrado (RDCI), utilizado por estados, municípios e governo federal para acelerar processos licitatórios, vem gerando insegurança no mercado de consultoria técnica.

“As empresas de consultoria acabam respondendo por 100% das obrigações do contrato, mesmo tendo participação pequena no consórcio. Isso inclui riscos trabalhistas, tributários e eventuais paralisações de obras”, afirmou.

Ela explicou que os contratos realizados por meio de consórcios heterogêneos, aqueles que unem empresas de consultoria e construtoras, têm provocado evasão de empresas especializadas e desinteresse do setor privado em participar de grandes projetos públicos.

A especialista também criticou a permanência do critério de menor preço em contratações de obras de grande porte, mesmo após avanços recentes na adoção do modelo “técnica e preço” para serviços de consultoria.

De acordo com a presidente da Anetrams, entre 2022 e 2025, mais de 90% das licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) voltadas à consultoria passaram a utilizar critérios de qualificação técnica e preço.

“Não faz sentido contratar projetos por técnica e preço e manter obras de grande vulto sendo contratadas exclusivamente pelo menor preço”, declarou.

Luciana citou dados do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontam que mais de 50% das obras paralisadas no Brasil estão relacionadas a falhas de contratação, baixa qualidade técnica ou problemas de execução.

Ela também defendeu maior qualificação profissional nas comissões de licitação e criticou interpretações que flexibilizam critérios de inexequibilidade em processos licitatórios.

Outro ponto destacado pela dirigente foi o Projeto de Lei 1252/2024, que prevê a possibilidade de empresas privadas compensarem dívidas tributárias ou administrativas por meio da execução de projetos e obras públicas, proposta que recebeu o apoio do deputado federal por Pernambuco, Augusto Coutinho (Republicanos). Ele, que é engenheiro civil, se comprometeu a articular com o presidente da Câmara Federal, Hugo Motta (Republicanos/PB), a tramitação célere da matéria na Casa. 

Segundo Luciana, a proposta pode se tornar uma alternativa importante para ampliar investimentos em infraestrutura e garantir recursos para estados, municípios e governo federal.

“O projeto pode criar uma solução imediata para execução de obras e programas estruturantes, permitindo que empresas utilizem créditos e compensações para assumir projetos de interesse público”, explicou.

A presidente da Anetrams encerrou sua fala defendendo maior integração entre entidades técnicas, órgãos executivos, legislativo e instituições acadêmicas para fortalecer o planejamento e melhorar os modelos de contratação pública.

“A qualificação técnica e o planejamento precisam estar na origem dos processos. É isso que vai garantir melhores práticas, mais eficiência e a entrega efetiva das obras para a sociedade”.

O IV Congresso Nacional de Gestão Pública é realizado pela Academia Brasileira de Formação e Pesquisa (ABFP), com coorganização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

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