PROFISSIONAL DEVE SER TRATADO COMO CLIENTE, NÃO COM A FACA NO PESCOÇO, DIZ PRESIDENTE DO CREFITO-3

CONGRESSO NACIONAL DE GOVERNANÇA DOS CONSELHOS DE CLASSE 10/10/2025
por Mauro Camargo (jornalista)
PROFISSIONAL DEVE SER TRATADO COMO CLIENTE, NÃO COM A FACA NO PESCOÇO, DIZ PRESIDENTE DO CREFITO-3
Resumo

MUDANÇA DE PARADIGMA

Profissional deve ser tratado como cliente, não com a faca no pescoço, diz presidente do Crefito-3

Raphael Ferris revela como uma nova abordagem de gestão, focada em valor e reconexão, aumentou a arrecadação em R$ 8 milhões e dobrou o apoio político da categoria.

Mauro Camargo

Os conselhos profissionais precisam abandonar a “lógica persecutória” de fiscalização e cobrança e passar a tratar seus inscritos como clientes, oferecendo valor agregado, benefícios reais e, acima de tudo, soluções que fortaleçam os vínculos institucionais. A defesa de uma mudança radical de paradigma na relação entre conselho e profissional foi o ponto central da fala do Dr. Raphael Martins Ferris, presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 3ª Região (Crefito-3), durante o painel sobre a implementação da Resolução CNJ 547/2024, nesta sexta-feira, 10, no Congresso Nacional de Governança dos Conselhos Profissionais, em Brasília.

Com um discurso direto e provocador, Ferris contou como uma simples mensagem recebida no Instagram, no início de seu mandato, o fez refletir sobre o modelo de atuação dos conselhos. “Uma profissional escreveu: ‘Votei em você e agora estou sendo executada’. Aquilo me fez pensar no contrassenso que é bloquear o carro de um fisioterapeuta que precisa dele para atender pacientes a domicílio e, depois de quatro anos, pedir o voto dessa mesma pessoa. Essa lógica não fecha”, declarou. Para ele, a abordagem de “faca no pescoço”, seja na cobrança ou na fiscalização, se mostrou ineficiente e alienante.

Diante desse diagnóstico, o Crefito-3 decidiu investir em uma nova estratégia, materializada no mutirão de conciliação. Antes de sua implementação, um estudo interno revelou um dado curioso: profissionais que não tinham contato com o conselho, seja por meio de eventos, fiscalizações ou visitas técnicas, tinham mais chances de se tornarem inadimplentes. “Isso mostra que, ao invés de apenas acionar a Justiça, deveríamos trazer esses profissionais para perto, apresentando soluções”, afirmou o presidente.

A conciliação, segundo ele, cumpre exatamente esse papel de reconexão institucional. Ao mesmo tempo em que reorganiza os débitos, ela se torna um momento para apresentar os serviços e as oportunidades que o conselho oferece. Os resultados financeiros comprovam a eficiência do modelo. “Cada real investido no projeto retorna cerca de R$ 5,54 em recuperação de crédito — um retorno raríssimo na administração pública”, destacou. Até agosto, o Crefito-3 já havia arrecadado R$ 8 milhões por meio da conciliação, dentro de uma receita anual de R$ 52 milhões. Além disso, 75% dos profissionais que aderem aos acordos pagam as parcelas regularmente, demonstrando a sustentabilidade do processo.

Para Raphael Ferris, o papel dos gestores eleitos vai além de simplesmente manter a máquina funcionando. “Os servidores já fazem isso muito bem. Nosso papel é aprimorar processos, trazer inovação e colocar o profissional no centro das ações. É claro que inadimplentes contumazes precisam ser punidos, mas a maioria não pode ser tratada apenas com medidas coercitivas”, defendeu.

Essa mudança de abordagem não gerou apenas resultados financeiros, mas também um expressivo ganho político e institucional. O presidente revelou que, em sua primeira eleição, sua chapa teve 5 mil votos. Na reeleição, após a implementação de projetos como o mutirão de conciliação, o número saltou para 12 mil votos, com 80% de aprovação. “Isso demonstra que, quando o profissional é valorizado e incluído, ele reconhece e fortalece a instituição”, afirmou.

Ao finalizar, Ferris agradeceu à sua equipe e destacou a importância de compartilhar boas práticas entre os conselhos. Ele elogiou o fato de a experiência do Crefito-3 ter sido levada ao Conselho Federal (Coffito) e transformada em uma política de alcance nacional, mostrando que o que funciona em um regional pode e deve ser replicado. “Muitas vezes dividimos apenas dificuldades, mas também devemos difundir práticas exitosas”, concluiu, reforçando a mensagem de que a colaboração é o caminho para um sistema de conselhos mais forte e relevante para a sociedade.

 

 

PAINEL 5 - IMPLEMENTAÇÃO DA RESOLUÇÃO CNJ 547/2024: SOLUÇÕES ADMINISTRATIVAS NA PRÁTICA NO ÂMBITO DOS CONSELHOS PROFISSIONAIS. EFICIÊNCIA COM RESPONSABILIDADE SOCIAL

Presidente de mesa: Dr. Marcos Vinícius de Souza, Chefe Procuradoria Jurídica do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - COFFITO

Expositores:Dr. Raphael Martins Ferris, Presidente do CREFITO-3; Dra. Priscilla Pecoraro, Assessora Jurídico-Financeira do CREFITO-3; Dr. Gustavo Salermo Quirino, Procurador Chefe CREFITO- 3

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